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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

"Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão

E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão

Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher

Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e combóios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão

E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão

Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher."

Ary dos Santos

Não suporto o consumismo do Natal. Não aguento a agitação dos bracinhos, a agarrar na eventual prenda, nem o afã dos pezinhos nas filinhas para pagar. Não suporto as lojas nesta altura do ano, só me apetece fugir para o País do Não-Natal. O pior são as minhas tentativas para comprar as prendas. Entro nas lojas e salto de lá a correr, exaurida e sem paciência. São precisas tantas tentativas para arranjar força anímica para permanecer na loja e na fila para pagar. Nesta altura do ano até prefiro uma ida ao dentista, para uma limpeza vá. A tortura é muito menor, a médica não guincha aos meus ouvidos e sempre permaneço sentada durante todo o processo. Como uma amiga costuma dizer: vamos lá despachar o Natal!
E sim, se não tivesse uma família de merdinha que me leva a tomar um calmante antes da ceia para aguentar o cinismo, a estupidez e a inveja, talvez a coisa não custasse tanto. Realmente a família são os amigos que vamos fazendo ao longo da vida. E os meus pais, que são uns queridos. E uns primos que tenho desterrados no Algarve e que são uns doces.
Não é um texto bonito, não é natalício, mas hoje estou assim! E ainda só comprei duas prendas...

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