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quarta-feira, 20 de abril de 2011

Singularidades de um café lisboeta

Neste país de iletrados causa espanto ter sobre a mesa um livro, um bloco de notas e um lápis. Mas reparem que também tenho um telemóvel!
- Ah bom!
Bebo uma chávena de Earl Grey com leite e começo logo a ver a vida com bons olhos. Se não fosse o incómodo dos guinchos das crianças ao longe. Se eu quisesse crianças a vida tinha-nos apresentado mais cedo, quando no lugar do cérebro ainda tinha uma couve-flor. Mas ainda bem, assim já tens resolvido o teu sentimento maternal masculino.
Se não fosse o barulho dos pratos na cozinha atrás do tapume. E agora o barulho da máquina de lavar loiça. Se não fosse a conversa das cozinheiras à volta do frango e das tartes. Lembro-me logo da azáfama da cozinha no filme “Rapariga com Brinco de Pérola”. Não me consigo manter muito tempo no século XXI e ainda tive a pretensão de ter futuro contigo.
Se não fosse o raio da porta aberta que me expõe à corrente de ar. Se mais cedo o escrevesse mais lesto a fechavam.
Se não fosse a Rádio Renascença citar palavras do Papa a propósito da Páscoa… Valham-me os deuses greco-romanos todos juntos!
Se não fosse não ter trazido um afia até podia continuar a escrever. Causaria muito espanto afiar o lápis no caixote do lixo ao lado da arca dos gelados?
- E o que vai ser a seguir?
- Uma voltinha por Alfama.
- Vamos nessa! Ou então dois copinhos de vinho branco…

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