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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Porque me olhas assim - Fausto


No meio do trânsito da Av. Almirante Reis reconheci uma das canções da minha vida. Linda que só ela:

Diz-me agora o teu nome
Se já te dissemos que sim
Pelo olhar que demora
Porque me olhas assim
Porque me rondas assim

Toda a luz da avenida
Se desdobra em paixão
Magias de druída
P'lo teu toque de mão
Soam ventos amenos
P'los mares morenos
Do meu coração

Espelhando as vitrinas
Da cidade sem fim
Tu surgiste divina
Porque me abeiras assim
Porque me tocas assim

E trocámos pendentes
Velhas palavras tontas
Com sotaques diferentes
Nossa prosa está pronta
Dobrando esquinas e gretas
P'lo caminho das letras
Que tudo o resto não conta

E lá fomos audazes
Por passeios tardios
Vadiando o asfalto
Cruzando outras pontes
De mares que são rios
E num bar fora de horas
Se eu chorar perdoa
Ó meu bem é que eu canto
Por dentro sonhando
Que estou em Lisboa

Diz-me tu então que sou teu
Que tu és tudo p'ra mim
Que me pões no apogeu
Porque me abraças assim
Porque me beijas assim
Por esta noite adiante
Se tu me pedes enfim
Num céu de anúncios brilhantes
Vamos casar em Berlim
À luz vã dos faróis
São de seda os lençóis
Porque me amas assim

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