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domingo, 16 de junho de 2013

Prostrada em adoração 9

Jan Van Eyck e oficina, Virgem e o Menino com Santa Bárbara, Santa Isabel da Hungria e um doador, 1441/43 - Temporariamente no MNAA.

Recordando


Dúvida existencial pessoal e intransmissível

Respondo ao mail?
Não respondo ao mail?
Respondo ao mail como quem não quer a coisa?
Respondo ao mail como quem quer a coisa?
Quero a coisa?
Não quero a coisa?
Que coisa!

Constatação 9

Face a esta sombra de governo, tenho a dizer o seguinte ao Sr. Ministro da Educação: sinto-me não só faltosa, como também grevista!

quinta-feira, 13 de junho de 2013

O meu agradecimento a este "professor estranho" que gosta de se "inflamar com factos"


Imperdível!

A greve dos professores e a qualidade da escola pública


                "A greve dos professores em tempo de avaliações tem gerado preocupação e incompreensão em alguma opinião pública e, sobretudo, junto dos encarregados de educação. Sou professor e também tenho uma filha adolescente a frequentar uma escola pública. Sou, portanto, sensível às preocupações manifestadas e, por isso, entendo que é fundamental que os professores se empenhem em desconstruir os mitos e o consequente ruído enganador sobre o assunto difundido pelo governo e pelos partidos que o sustentam, assim como pelos media e os seus opinantes encartados.
            Se os professores não contestarem agora as medidas previstas para a escola pública pelo ministério de Educação de Nuno Crato, os resultados serão catastróficos, pois terão uma influência profundamente perniciosa sobre a qualidade de uma escola pública que se pretende democrática, inclusiva, humanista e exigente.
            Segundo Crato e Passos Coelho, os professores terão de trabalhar mais horas letivas e/ou não letivas, sendo que tal decisão acarreta mais trabalho não apenas na escola mas também em casa. Sobre este assunto, importa enfatizar o seguinte facto: a maioria dos professores – as exceções relativas à negligência incompetente dos docentes existem em todas as profissões e apenas servem para confirmar a regra – trabalham hoje, na escola e em casa, muito para lá das tão apregoadas 40 horas.
            No 3º ciclo do ensino básico e secundário – onde tenho lecionado – os professores cumprem 23 tempos letivos. Lecionar aulas, sobretudo nas disciplinas com maior conteúdo teórico, a turmas com mais de 20 alunos (e as turmas das escolas públicas de hoje só excecionalmente têm menos de 25 alunos), dotados com cada vez menor capacidade de concentração e menor disponibilidade para aprender, exige um esforço excecional de concentração contínua por parte dos professores. Concentração contínua para produzir um discurso científico inteligível; concentração contínua para fazer interações assertivas com os alunos; concentração contínua para orientar o comportamento de todos os alunos e criar um ambiente favorável ao processo ensino/aprendizagem. Poucos segundos de desconcentração podem redundar na perda irremediável do controlo da aula.
            Ora, essa concentração, que — interessa aqui esclarecer — difere bastante da concentração que exige, por exemplo, um trabalho burocrático que, aliás, os professores também produzem em grande quantidade, na escola ou em casa, de dia ou de noite, nas escolas pública de hoje, torna-se particularmente extenuante. É preciso que a opinião pública não ignore que cinco ou mais tempos letivas diários já obrigam o professor a chegar a casa esgotado. Mais, enganam-se redondamente aqueles que pensam que o trabalho do professor terminou quando este abandona a sala de aulas ou a escola para regressar a casa – tal como, por exemplo, o trabalho do advogado ou do juiz não pode ser reduzido aos momentos em que estes juristas se encontram no tribunal.
            Depois das aulas lecionadas existem as aulas para preparar e os testes para elaborar, com as suas matrizes, enunciados, critérios de correção e níveis de cotação. E, ao contrário do que muitos pensam, as aulas têm de ser preparadas todos os anos, porque os professores não lecionam sempre os mesmos níveis, porque as idiossincrasias das turmas obrigam os professores a alterar as suas estratégias pedagógicas, porque a ciência evolui, os programas mudam e é impreterível atualizar conhecimentos. Depois, há as centenas de testes para corrigir pelo menos em seis momentos de avaliação escrita anual. Depois, há as leituras de atualização e a formação científica e pedagógica que qualquer professor tem de fazer. Depois, há as reuniões de departamento, de área disciplinar, de conselho pedagógico, de conselho geral, de conselho de turma… Depois, há as atividade extra-letivas onde muitos professores se envolvem: preparação de visitas de estudo, elaboração de exposições, publicação de jornais e revistas escolares, organização de comunicações proferidas por personalidades convidadas e tantos outros projetos que envolvem muitos professores empenhados em fomentar o conhecimento e, por conseguinte, o sucesso educativo dos seus alunos. Depois, há o trabalho cada vez mais difícil e sensível dos diretores de turma, que envolve o contacto com os encarregados de educação e os colegas, bem como a aferição permanente do comportamento, aproveitamento e assiduidade dos alunos. Depois, há as provas intermédias, as provas de equivalência à frequência, os exames nacionais do 9º ano e do ensino secundário que é preciso preparar e corrigir. Depois há as avaliações que são feitas no final de cada período. Depois, há as matrículas que são feitas pelos professores. E, depois, há ainda o regresso a casa, que para muitos professores exige viagens quotidianas longas e desgastantes.
            Todo este serviço público prestado aos alunos pelos professores é feito com entusiasmo, mas cada vez com mais dificuldades e desgaste físico e psicológico que, naturalmente, aumenta com a idade. Ora, num momento em que os professores estão já a trabalhar além das suas capacidades, em mega-agrupamentos babilónicos, onde em demasiados casos o ambiente é mau e tudo ou quase tudo funciona mal, é obsceno exigir mais horas de trabalho aos professores. Porque mais horas letivas lecionadas a turmas cada vez maiores vão, inevitavelmente, significar mais níveis, mais alunos, mais aulas para preparar, mais testes para fazer e corrigir, mais reuniões e burocracia para produzir. Enfim, trabalho acrescido significará, por um lado, para os professores com mais anos de serviço, trabalhar até à exaustão. Por conseguinte, tal decisão irá ter fatais repercussões sobre a qualidade do ensino oferecida aos alunos. Mas o trabalho acrescido concentrado num grupo restrito de professores, vai, por outro lado, significar para muitos outros professores – alguns com 15 ou mais anos de serviço — o desemprego.
             Por tudo isso sustento que tal decisão há de ser insustentável para todos: para os alunos, para os encarregados de educação (a braços com problemas sociais cada vez mais complicados que decorrem da crise em que vivemos) e para os professores. São, sobretudo, estas as razões que levam milhares de professores a fazer greve.
            Reparem que eu não mencionei o congelamento das carreiras, a diminuição dos salários, a perda efetiva dos subsídios de férias e de Natal ou o aumento dos impostos, que tornaram também a vida dos professores e de outras profissões cada vez mais insustentável. Não referi estes argumentos porque compreendo que é preciso fazer sacrifícios que, infelizmente, punem com doses mortais a classe média e o operariado, os funcionários públicos e os reformados, mas parecem inócuos sobre os banqueiros e financeiros, sobre os administradores oportunistas e os políticos incompetentes que geriram várias empresas públicas e privadas e o país nos últimos anos, os quais, ao contrário dos grupos sociais sacrificados, parecem gozar de um estranho estatuto de inimputabilidade em toda esta crise.
            Muitos dos que têm acesso diário privilegiado aos media e nos dizem – quantas vezes de barriga cheia – que sem austeridade o pais mergulharia no caos, não nos explicam como será o país depois da austeridade cega agora aplicada. Não nos dizem, por exemplo, que a austeridade também mata agora e, sobretudo, hipoteca o futuro. Como poderá sobreviver um país com uma taxa de desemprego geral (porque a dos jovens é superior) de 18% e que seguramente não vai parar de aumentar? O que restará deste país no futuro: com os jovens licenciados a emigrar, com os melhores cientistas jovens nacionais a encontrarem abrigo em universidades e empresas estrangeiras, com a população a envelhecer e a diminuir e o interior a despovoar-se a um ritmo suicida? O que restará deste país no futuro com uma escola pública constituída por professores velhos, cansados, esgotados, a braços com alunos provenientes de famílias que enfrentam graves problemas sociais e com executivos impotentes para gerir escolas babilónicas e, por isso, incapazes de impor uma política educativa humanista, exigente e de proximidade? O que restará deste país no futuro gerido por políticos histriónicos ou pardacentos, que apenas estão interessados em governar o presente e pouco se preocupam em acautelar o futuro? O que restará deste país no futuro, quando já não existir futuro?!…"
Luís Filipe Torgal

terça-feira, 11 de junho de 2013

sexta-feira, 17 de maio de 2013

quinta-feira, 16 de maio de 2013

terça-feira, 14 de maio de 2013

Um fala de depósitos sacrossantos, o outro de intervenções da Nossa Senhora de Fátima na 7ª avaliação da Troika... é melhor desligar a televisão não se vá dar o caso de apanhar uma overdose de santidade.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

sábado, 4 de maio de 2013

Agradecimento formal

Venho por este meio agradecer as carinhosas e fofinhas medidas que o nosso querido líder anunciou ontem à noite. É que, na impossibilidade de lhe chegar um par de estalos à tromba, saí de casa disparada e, assim, voltei às caminhadas e às corridas no Parque da Cidade. Obrigadinha!

segunda-feira, 25 de março de 2013

Vicissitudes desta filha de Eva

Esta manhã deixei, novamente, o Herculano no mecânico. Agora é a cabeça do motor. Acho que suspirei umas cinco ou seis vezes enquanto subia a rua a lutar contra a chuva, o vento e os salpicos dos carros.
Vou ficar o resto do dia enfiada em casa a ler o "Caim" de José Saramago. Considerei ser uma leitura adequada para a Semana Santa. Deve ser por estas e por outras que, de quando em vez, me acontecem coisas más... 

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Data


Tempo de solidão e de incerteza 
Tempo de medo e tempo de traição 
Tempo de injustiça e de vileza 
Tempo de negação

Tempo de covardia e tempo de ira 
Tempo de mascarada e de mentira 
Tempo que mata quem o denuncia 
Tempo de escravidão 

Tempo dos coniventes sem cadastro 


Tempo de silêncio e de mordaça


Tempo onde o sangue não tem rasto 


Tempo de ameaça 


Poema de Sophia de Mello Breyner 

Como a compreendo...


Há ocasiões em que a única reação possível é esta. Na forma, no conteúdo e no cenário também.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

O balanço de sábado à noite


Orquestra Libertina de Lisboa na Fábrica do Braço de Prata.
Foi bom para libertar os fantasmas.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Prostrada em adoração 5

A Infanta D. Maria - Anthonis Mor Van Dashors - 1552.

Qualquer dia ainda escrevo um romance histórico sobre a Infanta D. Maria, no qual a confundo com a Infanta D. Maria de Parma, utilizo os ensinamentos do Livro de Cozinha de Maria de Portugal, e a coloco a cozinhar na Bimby. Que tal Isabelinha?

Miscelânea

Os domínios deste castelo


Passeio pelo Reino da Preguiça, enquanto posso, e lá vou deitando o olho aos de Inglaterra e de Portugal. Não muito convencida, é certo, com as descrições do quotidiano que são feitas neste livro comovente e maternal.
Quando a autora coloca D. Filipa a escrever com uma caneta (seria Montbanc?) até tive uma tontura...
Quando diz que ela bebia chá, em vez de tisanas, quase que fiquei engasgada...
Quando se refere a D. Isabel de Aragão como Rainha Santa Isabel, tendo esta sido beatificada e canonizada posteriormente, no século XVI e XVII respetivamente, julguei que era necessário ter a resiliência de um mártir para continuar a leitura...
Eu compreendo o fascínio da autora pela figura histórica, mas mergulhar na mundividência medieval não é, decididamente, para todos. Resta-me continuar a leitura, esperando ardentemente pelo próximo livro de João Paulo Oliveira e Costa.
É que isto do romance histórico não é para quem quer, é para quem SABE!

P.S. - Escreve a autora no final do livro: "Alcáçova de Lisboa, era também conhecido por este nome o Paço Real de Lisboa, albergado dentro do Castelo de S. Jorge. Foi ali que ao longo dos tempos as famílias reais foram vivendo até ao terramoto a ter destruído, mudando-se os reis para a Ajuda, Belém e zonas onde acreditavam estar mais seguros."

Estou chocada!
Amanhã vou aos Jerónimos tentar avisar o rei D. Manuel I que sofria de alucinações e uma delas ocorreu quando transferiu o Paço Real para o Palácio da Ribeira. Ainda hoje a memória popular designa a oficial Praça do Comércio por Terreiro do Paço. Será por nessa zona ter existido um campo de golfe???
Isabelinha, querida, se algum dia te cruzares comigo na rua aconselho que te coloques num lugar em que, tal como a família real, "acredites estar mais segura"...

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Que 2013 maravilhoso que aí vem... Tão jeitoso que vai ser!

Sempre preferi a ironia ao falso otimismo. 
Não se me oferece dizer grande coisa. 
As mudanças ocorridas a 31 de agosto é que marcam a minha vida.  
Sei que vai ser um ano particularmente difícil a nível pessoal e profissional. 
Viva 2013! 
Viva!